saúde e crise

Em tempos de crise podemos ter duas reações mais frequentes: entramos em pânico ou avaliamos a situação racionalmente para nos posicionarmos.

Se pararmos para pensar, muitos fatores contribuem para que preocupações se formem em torno do setor que é considerado pela população como um dos mais importantes. Quando ponderamos fatores provocados por incertezas políticas ou pela recessão que nos assola impiedosamente, ou até mesmo, se consideramos o desempenho histórico do setor de saúde, a palavra que nos vem à mente é crise.

A crise pode ser definida como uma fase de perda, ou uma fase de substituições rápidas, em que se pode colocar em questão um equilíbrio estabelecido. Torna-se, então, muito importante a atitude e comportamento em  face a momentos como este. É fundamental a forma como os componentes da crise são vividos, elaborados e utilizados subjetivamente.
A evolução da crise pode ser benéfica ou maléfica, dependendo de fatores que podem ser tanto externos, como internos. Toda crise conduz necessariamente a um aumento da vulnerabilidade, mas nem toda crise é necessariamente um momento de risco absoluto. Pode, eventualmente, evoluir negativamente quando os recursos estão diminuídos e a intensidade do stress vivenciado a ultrapassa a sua capacidade de adaptação e de reação.

Mas a crise é vista, de igual modo, como uma ocasião de crescimento. A evolução favorável de uma crise, conduz a um crescimento, à criação de novos equilíbrios, ao reforço das estruturas  e da  capacidade de reação a situações menos agradáveis.

A Saúde, apesar de ser uma área prioritária, tem experimentado cortes nos orçamentos tanto em se tratando do Sistema Único de Saúde, como também do aparato que sustenta o sistema de saúde complementar em função de significativa perda de beneficiários por conta do aumento do desemprego e de outras restrições. Naturalmente, tanto do ponto de vista dos indivíduos quanto do ponto de vista dos responsáveis pelas áreas de Recursos Humanos, é necessário identificar estratégias e planos de ação para equilibrar as condições adversas, sempre tendo em vista um quadro de recuperação econômica a médio prazo, mas considerando ações práticas imediatas.

Do lado das empresas, ações de avaliação de custos, considerando o equilíbrio dos contratos de saúde, mediante o acompanhamento mais minucioso da sinistralidade e do desempenho atual e projetado dos contratos pode indicar caminhos mais racionais para o enfrentamento da crise.

Do ponto de vista dos indivíduos, a escolha correta do plano de saúde complementar pode ser ponderada no que diz respeito não somente a custos, mas também verificando mais precisamente quais são suas necessidades reais de atendimento no que diz respeito às instalações, recursos e especialidades, considerando ainda, as questões geográficas (localização das unidades). Do ponto de vista do individuo, é importante considerar a questão da compra de carências e da existência de programas específicos para tratamento de doenças crônicas.
Do ponto de vista dos operadores de saúde complementar, segundo avaliação realizada pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), um dos principais instrumentos de enfrentamento da crise é a implementação de políticas de gestão de custos no sentido de combater os desperdícios sem negligenciar a qualidade na prestação de serviços, ações estas que devem estar alinhadas com todos os contornos legais, segurança jurídica e regulatória, adequação de custos e uso conscientes dos serviços pelos beneficiários e racionalidade na incorporação de novas tecnologias.

O primeiro efeito das crises é que, em um primeiro momento, elas provocam impactos tanto para as pessoas quanto para os prestadores de serviço. Mas não podemos desprezar as oportunidades de colher benefícios decorrentes dos ajustes de todos os atores do sistema. Por parte das operadoras, gestão mais racional, baseadas em controles mais precisos e uso mais intenso da informação disponível, do ponto de vista das empresas, oportunidade de fortalecer as práticas de gestão corporativa de saúde, contando com o auxilio de suas corretoras para analisar os dados de utilização, projetar quadros de sinistralidade e apontar alternativas de gestão de crônicos baseadas em inteligência de dados.

Já do ponto de vista do indivíduo, procurar avaliar a real eficácia de suas escolhas quanto aos planos de saúde contratados, exigindo maior apoio consultivo e orientação quanto às alternativas, não se atendo apenas a descontos ou a grandes apelos publicitários.

Resumindo, a crise pode servir para um equilíbrio de todas as forças no sentido de um sistema mais racional e eficaz. Prestadoras de serviços, profissionais de Recursos Humanos e indivíduos são, segundo o escopo de seus papeis e alcance de atuação, responsáveis por colher  frutos de oportunidades reais e duradouras, mesmo diante de grandes desafios.

Em resumo: depende de nossas escolhas.